terça-feira, 8 de maio de 2012
Antígona - Sófocles
Segue abaixo minhas anotações acerca de "Antígona", a tragédia grega de Sófocles.
Mesmo depois de dois mil e quinhentos anos, as questões apresentadas pela obra Antígona transcendem a temporalidade da época de sua criação e continuam sendo discutidas nos dias de hoje, pois seu conteúdo crítico implícito remete ao dilema paradoxal entre o direito natural, de cunho divino(OIKOS), metafísico, e o direito positivo, legislado, que é advindo do homem(PÓLIS). A tragédia grega abre espaço para uma vasta reflexão acerca daquilo que é moral, legal e justo, permitindo que o leitor se questione quanto a rivalidade existente entre justiça e lei, se realmente existe um direito de natureza divina que transcende a lógica do direito positivo e até que ponto o dever de um indivíduo para com a sua família se põe contra o seu dever para com o estado, deixando os elos da sociedade civil em oposição àqueles do estado político.
Dentre as tensões latentes presentes na sociedade grega, Sófocles problematiza, dramatiza e discute, em Antígona, temas como religião, política, moral, direito, diferenças entre gênero e perfis psicológicos, sendo estes os principais conflitos encontrados nesta exposição. Com relação ao gênero, Antígona e Creonte personificam, respectivamente, as ideias da irracionalidade, subjetividade e das ações carregadas de sentimentos movidos pelo emocional, versus as ideias de razão, falta de viveza e objetividade. Antígona é uma mulher de força que representa o notável papel da figura feminina, vai contra o estereótipo: desafia o rei e vai contra as leis estipuladas pelo poder, atraindo sobre si a cólera do irmão morto, enterrando-o a contra gosto do tirano, não agindo em nome da sua vontade pessoal, mas da suposta vontade geral dos cidadãos, da pátria; ao final, tem uma morte bela, que viverá sempre na lembrança, trazendo a gloria heróica, pois só assim, com o seu próprio sacrifício, restitui a paz a cidade de Tebas. Creonte representa o poder estabelecido, e todas as suas atitudes são meticulosamente pensadas e tomadas visando a manutenção deste poder; é um déspota, movido pelo autoritarismo e pela ganância. Ao final da obra, nota-se que ambos aprendem que é necessário ser comedido, agir com parcimonia, diligenciando um meio termo entre os extremos de atuações conflitantes.
Fruto do envolvimento amoroso e sexual com Jocasta, sua mãe biológica, e do assassinato de seu pai biológico Laio, a maldição rogada em Édipo Rei continua mesmo após a sua morte, recaindo sobre seus quatro filhos: Ismênia, Antígona, Polinices e Etéocles. Como as mulheres não tinham direito ao trono, Polinices e Etéocles o disputam para suceder o pai, disputa esta que acaba em morte de ambos: Polinices é expulso da cidade pelo irmão, depois de determinado tempo junta-se ao rei de Argos e ataca Tebas para tomar o poder de Etéocles. Até então rei, Eteócles defende a cidade com unhas e dentes, morrendo como o herói que defendeu sua pátria, ao contrario de Polinices, que foi considerado um traidor por ir contra o seu próprio povo. Após a morte dos dois herdeiros, Creonte, irmão de Jocasta e tio de Antígona, assume o poder com o intuito de restaurar o que sobrou de Tebas, e rapidamente começa a criar leis e regras na sociedade grega. Dentre as leis criadas, Creonte decreta que Polinices, por ter invadido sua cidade natal e ter se voltado contra os seus semelhantes, não devia ser sepultado, nem ser submetido aos rituais fúnebres, ficando exposto para que as aves carniceiras se encarregassem do seu corpo. Proclamou também que ficava expressamente proibido qualquer cidadão tebano enterrar o tal corpo, e aquele que ousasse transgredir sua determinação seria apenado com a morte. Em contrapartida, promoveu um funeral de honra para Etéocles, que lutou bravamente em defesa de Tebas e morreu como um herói para salvar seu povo.
Para entender o porque deste decreto, deve-se valer a ideia de que, segundo a tradição para os tebanos, somente por meio das honras fúnebres e do sepultamento é que se daria a transição adequada ao mundo dos mortos; para o povo grego, essa ligação com com o divino era fundamental, e a quebra destas tradições fúnebres implicaria na impossibilidade de diálogo com os Deuses. Então, como forma de punir Polinices, mesmo morto, e mostrar seu poder perante o povo tebano, Creonte cria esta lei que é fruto da sua autoridade, tirania, que pouco a pouco vai se transformando em loucura. É passível de comentário que, logo no começo da tragédia, Creonte deixa de lado os laços familiares e assume o posto do tirano, do detentor do poder, do Estado, ao punir Polinices, pois de qualquer forma eles eram unidos pelo sangue, sendo tio e sobrinho, e mesmo assim não impediu que tal castigo procedesse, uma vez que Creonte representa a lei dos homens, a lei que põe o poder acima da ideia de família.
Inconformada com o fato de seu irmão permanecer insepulto, Antígona recai sobre si mesma e planeja dar um destino mais digno a Polinices, que já havia pedido a irmã que, se caso morresse antes, queria que ela se encarregasse de todos os rituais fúnebres e de seu sepultamento. Decide então dividir sua trama com sua irmã, Ismênia, que mesmo desprezando as leis impostas por Creonte, o teme, e se diz incapaz de suportar a pena cominada ao descumprimento da mesma, preferindo não se envolver no crime e se colocando como cúmplice ao saber do esquema, mesmo não participando. Antígona então vê-se diante a um dilema: submeter-se à lei do soberano, injusta e desigual, ou sujeitar-se às iras impostas pela transgressão, dando finalmente a Polinices o que ele pedira: honras fúnebres e um sepultamento. Sozinha, decide lutar pelos seus direitos, pelos de seu irmão e da sua família, firmando-se na ideia de que as leis dos Deuses não estão escritas, logo, são eternas.
Quando descoberta, Antígona atrai a ira de Creonte para si. Revoltado com a displicência desta para suas leis e seu claro decreto que proibia o sepultamento do corpo de Polinices, Creonte, sendo tirano, imediatamente ordena que busquem Antígona e tragam até ele. Diante a acusação, Antígona assume que sepultou Polinices e questiona as atitudes do tio, que é inflexivel diante as reclamações expostas. Ao dizer que “nasceu para amar”, frase que exemplifica o ato exercido em prol do irmão morto e, até então insepulto, Antígona expressa toda a sua força e vontade em fazer justiça, de apoderar-se do divino para seguir sua vida da forma que julga adequada, sacrificando-se pelo irmão e vingando-o, mesmo sabendo que o seu fim era certo; Creonte a responde: “vá amar os mortos”, o que deixa claro o desdém do tio para com a sobrinha, mostrando sua indiferença com os sentimentos e laços afetivos e familiares, transparecendo que se preocupa apenas com as suas leis e as suas “justiças”, ou seja, com a morte de Antígona por ter desafiado o Estado. Ismênia, que não participou do sepultamento “ilegal” de Polinices, apenas guardou para si o ato que a irmã lhe confidencio, foi levada até Creonte com a suposição de que estaria envolvida no crime, mas depois foi liberada do castigo ficando apenas Antígona sobre os poderes de Creonte.
A figura de Hemon, filho de Creonte e primo de Antígona, é importante na medida em que ele é noivo da protagonista, entrando em cena para desafiar o próprio pai, e então Rei, pedindo para que este não execute sua amada. Hemon, quando percebe a falta de sabedoria do pai, partindo da ideia que espera-se de um rei a sabedoria para reinar, se revolta e expõe sua verdadeira intenção, que é seduzi-lo para o lado dele, o mesmo lado de Antígona, dizendo para seu pai que “aquele que tem ‘jogo de cintura’ é que consegue reinar”, pois mantém o equilíbrio entre a lei dos homens e a lei dos Deuses. A questão da idade e experiência entre Hemon e Creonte é interessante, pois mostra que esta relação entre pai e filho é invertida, uma vez que o filho, cidadão, diz ao pai, rei, o que deve ser feito, dá conselhos e o guia para o melhor caminho, e quando não há o cumprimento do que é dito, vem a bronca, a revolta, o desgosto. Mas, como todo bom tirano, Creonte não ouve o filho e prossegue com seu plano inicial: enterrar Antígona viva.
Em meio ao caos no qual se encontra Tebas, devido a lei estabelecida por Creonte, uma poluição e infertilidade impede que a sociedade “siga em frente”; falta ordem no relacionamento com as pessoas e com os Deuses. Acefalia do Estado. A ruptura do equilíbrio dá-se no momento em que Creonte, ao não se flexibilizar perante os interesses de Antígona, sente-se ameaçado e quer provar seu poder tirano: decreta pena de morte e a mantém em uma caverna até que esta morra. Eis que aparece um personagem fundamental para a trama: Tirésias, vidente/sacerdote masculino, que tem autoridade o suficiente para proferir suas advinhações e ser ouvido por Creonte. Tirésias descreve e mostra o que está acontecendo, o caos que assola Tebas, e diz para Creonte que a forma dele se manter no poder e não se prejudicar com a maldição, é voltando atrás na sua decisão, impedindo que Antígona morra e que mais tragédias aconteçam. Depois de achar que o Tirésias está tentando controlá-lo, manipulá-lo para o seu próprio interesse, Creonte se convence a anular a sentença de morte de Antígona, pois fica temeroso de que algo muito ruim aconteça, uma vez que Tirésias é um bom adivinho e sempre se cumprem suas profecias. Mas infelizmente o que foi não volta mais: Antígona morre, acabando com as últimas esperanças de Creonte em salvar-se das profecias.
Tem-se neste momento a caracterização da peripécia: quando ele se convence de que não se deve matar Antígona, tudo está acontecendo, ele tenta impedir mas não obtém sucesso: e tanto ela quanto seu filho, Hemon, morrem. Ao morrer, Antígona restitui a paz em Tebas, e unidos pelo sangue na vida e na morte, sendo primos e também amantes, ela e Hemon tornam-se um só corpo. A representação das núpcias em vida são substituidas pelo “corpo sobre corpo” na morte, uma vez que Hemon vai até sua amada e se mata, deixando o seu corpo cair sobre o dela. Deixa-se de enterrar os mortos para enterrar os vivos. Quando a notícia chega a Creonte, mais confusão se instaura em Tebas: ao descobrir que seu filho morreu, Eurídice fica desolada e se mata. Quando o mensageiro chega com a terrível notícia deste duplo suicídio familiar, mãe e filho, Creonte vê que tudo aquilo que o vidente Tirésias tinha dito para ele tinha se materializado.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Eu não moro mais em mim...
Adriana Calcanhotto
Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim...
Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?...(2x)
Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim...
Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?...(2x)
segunda-feira, 16 de abril de 2012
De cara nova!
sábado, 31 de março de 2012
Você é assim...
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...
Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...
Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...
Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...
Você é assim
Um sonho pra mim
Você é assim...
Você é assim...
Você é assim...
-"Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Penso em você
Desde o amanhecer
Até quando me deito
Eu gosto de você
Eu gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor"
terça-feira, 13 de março de 2012
Quando escolhas devem ser feitas...
Sempre haverá um momento em nossas vidas que teremos que optar pelo certo ou errado, pela direita ou esqueda, por esquecer ou recordar, por prender ou deixar livre, pelo caminho mais fácil ou o melhor para quem se ama(geralmente o mais difícil).
Nestes momentos, não há muito o que fazer: deixe estar. Deixe que os ventos soprem a direção, pois não há outra saída a não ser a de encarar de frente o problema. Desconfio que, escolhas feitas ou não, justas ou corretas, sempre sofreremos um pouco, mas também sempre terá algo de belo no nosso gesto.
Um dos maiores exercícios é não deixar que o egocentrismo da nossa infância floresça na vida adulta. Entender que você não é o centro do Universo, que as pessoas têm gostos, pensamentos e atitudes diferentes das suas, e que estas não são erradas ou menos interessantes, mas sim peculiares, particulares daqueles que a possuem. Deixar de pensar somente em si próprio para aprender a compartilhar, a ajudar o próximo(não só os que estão a sua volta, aqueles que se ama, mas a todos).
Por isso, certas escolhas devem ser tomadas pensando no outro, sim. Por mais que você pense: "não quero isso!", em algum momento, alguém terá que ceder. E quando existe uma grande oportunidade para o outro, é um grande exercício para praticar o controle do egocentrismo quando você apoia, mesmo que sofra com essa atitude.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Amicus: Amore.
Wikipedia: Amizade
E é pensando na relação entre "amicus" e "amore" que resolvi escrever um pouco, principalmente sobre o que tem ultimamente acontecido comigo. É de conhecimento geral que "amigos verdadeiros são poucos, pode-se contar nos dedos", mas vejo por aí muitas pessoas usando isso como provocação, como um ataque no sentido de: "você não é meu amigo verdadeiro, não me deu presente de aniversário", "você não lembrou que hoje fez "x" anos que nos conhecemos", "você me liga mais, não manda mensagem"...Engraçado, muito engraçado. Que eu saiba uma amizade é uma coisa recíproca, não adianta um só se esforçar, ligar, e mimimi se o outro não se importa. E digo mais: por que o outro não se importaria? Ou ele realmente não é seu amigo e não está nem aí, ou muitas coisas mudaram, está acontecendo algo novo na vida dele e etc...Não custa nada avaliar, custa? Muito mais fácil do que sair com mil pedras na mão. Ser amigo não é se exaurir, é fazer parte da vida do outro sim, mas não se esgotar por algo sem causa, ou por alguém que não te conhece o suficiente para saber que você está dando o seu melhor, mas que também tem a sua vida para cuidar.
Confesso que nos últimos anos(3, para ser mais exata), minhas prioridades mudaram, EU mudei, e acredito que para melhor. Conforme vamos tendo mais experiêcias, conforme vamos passando pelas diversas fases da vida, vamos mudando a nós mesmos, aos outros e ao mundo; nesse processo, as nossas relações são afetadas. Foram anos de decisões, de perdas familiares, de recuperação de alguns acontecidos e de escolhas muito difíceis, mas também foram anos de alegrias, de conhecer outras pessoas, de me aprofundar em certas coisas e de enxergar quem realmente sou. Não me arrependo de muita coisa, dizer que não me arrependo de NADA é pura mentira, pois sempre nos arrependemos de algo, que fizemos ou deixamos de fazer; mas deveria ter sido mais consistente em minhas decisões, mais clara quanto meus sentimentos e objetivos, não devia ter deixado margens para desconfiança, mágoa, ressentimento e brigas bobas. Mas as deixei.
Foram raras as situações em que vieram me perguntar o que estava acontecendo, se estava tudo bem ou se eu precisava de algo. Considerei os que não se manifestaram como péssimos amigos? Achei ruim quem não me deu parabéns no meu aniversário? NÃO! Por que seria mesquinha demais se me importasse com essas coisas banais, por que amigo que é amigo erra, peca, omite e até mente, por que ele é humano e não e perfeito, mas no fim ele se desculpa, ele reconhece o erro, fica tudo bem e acaba em risadas, mesmo ambos sabendo que esse não pode ser o real fim dos desentendimentos, pois amigos se estranham sim, só que uns mais, outros menos. Seria ridículo da minha parte também só criticar o outro: quantas vezes deixei de lado coisas realmente importavam, não só para mim quanto para o meu amigo? Quantas vezes quis encontrá-lo, mas por algum motivo não foi possível? Quantas vezes pensei em ligar, em mandar uma mensagem, mas meu orgulho, ressentimento ou até mesmo medo, me impediram disso? Eu mesma respondo: MUITAS!
Tenho relações de amizade nas quais há alguma lacuna, um desentendimento que não foi resolvido e cada um foi para um lado, que foi deixado para trás por decisão de ambos, que foi resolvido superficialmente e deixou sequelas, que foi deixado para depois e, até hoje, ambos fingem que nada aconteceu. Por que, por mais que TODOS em algum momento digam: "se tiver algo errado, eu vou te falar!", isso NÃO acontece! Todos temos medo, algum receio, nos perdemos nas palavras, razão e sentimento, e as vezes não sabemos nos expressar, não contamos o que realmente queremos, ou omitimos por que não sabemos quais serão as consequencias de tal ato. Em determinado momento, as coisas podem ficar difíceis, podem nos tirar do sério, mas se gostamos da pessoa, ainda nos importamos, ainda ficamos preocupados se ela está indo bem nas provas, se está lidando bem com os seus problemas pessoais, como está sua saúde e o que tem feito aos finais de semana. Pensamos CONSTANTEMENTE nessa pessoa, as vezes nos comunicamos com ela, mesmo que timidamente, mesmo que sem assunto, só para dizer um "ei, estou aqui, viu?", as vezes ficamos só na vontade, no choro, no pensamento. As vezes, essa pessoa nem sabe disso, não se importa, não se incomoda, ou sabe mas está na mesma que a gente: o que está acontecendo? o que sinto? o que faço? como falo?
Tenho só uma saída para quem quer fazer a sua parte: independente do que aconteça, ou de quem seja a tão temida culpa, tente. Ligue, mande mensagem, encontre, faça algo. Sei que as vezes 24h é pouco para tudo que queremos, mas pelo menos uma vez, invista (e não "perca")alguns minutos do seu dia para falar o que precisa, tirar de dentro de si mesmo tudo o que o sufoca há horas, dias, meses ou anos.
E não, esse texto não é específico para ninguém, é um conjunto de acontecimentos, momentos e sentimentos que foram se acumulando com o passar do tempo, no qual MUITAS pessoas fazem parte. Então se sentir que é para você, é por que é TAMBÉM, e não exclusivamente, não é um ataque ou nada do gênero: apenas uma limpeza de chaminé.
Desculpas a todos que magoei nos últimos anos.
(e perdoem os erros de cunho gramatical, estou escrevendo às pressas e minha média de gramática não é muito boa)
terça-feira, 29 de novembro de 2011
My Love
That's The Way (My Love Is) - Smashing Pumpkins
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Venus at the Mirror - Velázquez
Há ideias vulgares e ideias elevadas, há sensações simples e sensações complexas; e há criaturas que só têm ideias vulgares, e criaturas que muitas vezes têm ideias elevadas. Conforme a ideia, o estilo, a expressão. Não há para a arte critério exterior. O fim da arte não é ser compreensível, porque a arte não é a propaganda política ou imoral.
Fernando Pessoa, in 'Sobre «Orpheu», Sensacionismo e Paùlismo'
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Hibernar
E quando você tem vontade de desistir de tudo? De jogar tudo para o alto simplesmente por ter medo de enfrentar a realidade? Será que é realmente nesta realidade em que se vive ou em uma paralela? O que é real ou imaginário? Quando se sabe onde começa um e termina o outro? Desistir...De tentar. Lutar. Mas quem é o verdadeiro inimigo? Luta-se contra quem? Quem é o culpado de tudo? A resposta pode ser simples, até quem sabe exata...Mas a pergunta talvez não seja "Quem é o culpado por tudo?", e sim "Realmente existe o interesse em saber quem é o culpado por tudo?". Esse medo é latente, explícito. Ignorá-lo não resolverá o problema, apenas o adiará...Mas até quando? Até tudo explodir.
E quando você...Você hiberna? O que fazer? A vontade que paira no ar é a de despertar...Despertar para a vida, talvez...Talvez todos estejam hibernando, ou somente um ou outro. Só resta descobrir quem faz parte desse grupo de hibernadores, perdedores de vida...
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Beautiful - (1 ano de namoro!!)
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Reciclagem Interior
Ultimamente tenho vivido muito intensamente. Sim, se eu pudesse descrever minha vida em apenas uma palavra, escolheria esta: intensa. Digo isto, por que de certa forma eu já era meio "oito ou oitenta", agora me parece(e a todos ao meu redor, tenho certeza), que está bem mais evidente tal traço da minha personalidade. São fases da lua? Mas que lua é esta que muda de 5 em 5 minutos? Que lua é esta, que ilumina em dado momento e depois enegrece tudo ao meu redor? Mas que lua (que raio de lua!), que lua tem tudo em suas mãos num dia, e noutro nada? Que joga tudo para o ar sem pensar duas vezes? E quando pensa duas vezes, muda de ideia e tenta resgatar o que foi lançado ao léu? Esta é uma lua inconstante, uma lua que sofre e sofrerá muito se continuar a ser assim...E o que fazer? Há solução para essa lua-meia-lua?
Sinto-me cega. Vendada. Mas quem vendou-me? Será que fui eu mesma? Será que foi o destino? Isto é consciente ou inconsciente? Tantas perguntas...nenhuma resposta. Não reclamo da minha vida intensa por total, pois sei que os momentos bons que ela me proporciona são vários, e tento aproveitar ao máximo (mesmo as vezes não tendo sucesso), mas há coisas que podem (deveriam, é claro!) ser mudadas. E como mudar? E como sair desta maldita zona de conforto? Como revolucionar o meu eu? Esta mesma intensidade com a qual vivo diariamente me mata. Mata-me aos poucos nessa vida sacana, que me põe em prova, me coloca em situações difíceis que fazem com que eu repense nos meus atos. Reflexão. Intensidade, as vezes, puxa a impulsividade. Me deixa radical, e não no sentido descolado da coisa, mas no sentido "quero resolver tudo agora, cortar o mal pela raiz...". Soluções drásticas que são tomadas impulsivamente, sem pensar nas consequências...Por que as veias bulem tanto, o coração palpita tanto, os poros dilatam tanto, que parece que vou explodir. Seja de raiva, de amor, de saudade, de tristeza...De compaixão.
E não precisam ser situações grandiosas para fazer eu me sentir assim. As vezes, coisas bobas, e até consideradas irrelevantes, me tiram do sério. São coisas que me fazer ter vontade de desistir de trancar uma matéria, de desistir da faculdade, de sair de casa, de brigar com todo mundo, de ir embora para sempre. Mudar de nome, virar hippie, ir para o Xingú e virar índio. Mas quem disse que é facil mudar de nome? Ser hippie ou índio? Doce ilusão. Quero ver eu conseguir sobreviver em meio aos indígenas, aprender tupi-guarani, ficar em reclusão, fazer cerâmica, fiar paina e produzir colares, penachos, pulseiras, arco-e-flecha. Os índios também têm os seus problemas, suas terras sendo reduzidas ao nada, suas crianças e jovens se parecendo (e querendo!) cada vez mais com o homem branco, seus rios sendo poluidos, seu patrimonio sendo transformado em palco, em comércio, em usinas hidrelétricas. Não...ser índio não resolveria o meu problema, pois cada sociedade, logo cada indivíduo, têm seus proprios problemas.
Parece mesquinho escrever sobre meu estado de espirito, sobre meus problemas...Isso soa meio banal, quando comparado a inúmeros problemas infinitamente mais graves como o meu, pois estou me queixando da minha chatice, do quão insuportável estou, mas tem gente se queixando de uma descoberta fatal: câncer. Ou não. As vezes uma pessoa que está com câncer aproveita mais a vida do que eu, mesmo ao receber esta notícia. O que nos torna tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo? Por que agimos de formas distintas? Por que temos leituras particulares do mundo no qual vivemos? Mudando (ou nem tanto) de pêra para maçã, esta é uma questão interessante. Até que ponto o meio influencia em nossos atos? Alias, até que ponto jogamos a culpa no meio, culpa esta que poderia ser exclusivamente nossa?
Me considero ignorante em vários aspectos. As vezes quero mudar o mundo, as vezes quero apenas deitar em minha cama e dormir tranquilamente, esquecendo que este mesmo mundo existe. Egoísta. Critico, levanto argumentos e hipóteses, teoriso...Mas não soluciono. Ah, mas não é fácil solucionar as coisas. As vezes, tento esconder para debaixo do tapete os meus problemas, noutros momentos, tento camuflá-los, transformando-os em novos móveis, e em alguns casos (que ultimamente têm sido frequente) tento dá-los para alguém (e não me orgulho disso), como uma mobilia que não uso mais, ou até ateio fogo, reduzindo tudo a pó (na metáfora, apenas nela, sendo ecologicamente incorreta). O certo seria reciclar estes meus problemas. As vezes penso nisso...Transformar aqueles que não quero mais, que só me atrapalham, em algo útil para mim ou até para outra pessoa. Mas ainda é tudo novo, preciso me adaptar.
Poderia ser fácil, jogar a culpa no remédio, na sociedade, na TPM, mas sei bem que vai além disso. Assumo minha fase, como a lua, intensa...Mas será que mereço, realmente, tudo isso??
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Escrever sobre escrever.
O vestibular chegou e, com ele, a falsa idéia de estar fazendo a coisa certa, apesar do medo latente. A opção Letras foi escolhida como curso desejado, prestou uma, duas três. 2011 chegou e lá para meados de Fevereiro, os resultados. Passou em uma, duas, três. Grande coisa, e agora? Qual escolher? Optou pelo conforto, pela sua cidade, família, amigos, namorado. Nos primeiros meses oscilava entre “Estou arrependida” e “Fiz a escolha certa”. Depois tudo se acalmou. Tomou a segunda opção para si e assinou em baixo, escreveu em um pedaço de papel e colocou na geladeira, assim, assim, para todos verem. Grande coisa.
Por Tamires Lemos de Assis
segunda-feira, 18 de abril de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Papo de Mulher
Olá, lindezas!
É com muita alegria que informo a vocês que, a partir de hoje, todas as segundas e quintas escreverei para o blog Papo de Mulher
Para quem quiser conferir, já está no ar o post "Ontem Menina, Hoje Mulher", que fala um pouco sobre essa transição feminina que tanto nos incomoda.
Comentem, opinem, critiquem e sigam o blog! Toda participação é muito bem vinda!
E para quem tem twitter, é só nos seguir por lá @__papodemulher
Um beijo para todos!
;***
quinta-feira, 3 de março de 2011
Las Manolas
![]() |
| Tomie, Eu e Japa |
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Quando Sonhos se Tornam Realidade
E 2011 chegou. Chegou e trouxe consigo muitas coisas boas.
Após a bateria de provas no final de 2010, houve uma pausa para um Ano Novo regado de boas amizades e muito amor, e logo em seguida recomecei a maratona da fase final dos vestibulares. Os dias pareciam ter muito mais do que 24 horas, dormia e sonhava com os resultados. Acordava de manhã pensando “já é hoje?”. Mas não, a espera foi longa…Porém, valeu a pena.
No dia 3 de Fevereiro saiu o resultado da UNESP: Convocada para matrícula em primeira chamada. Dia 7 saiu o da UNICAMP: Não convocada. Logo na terça-feira, dia 8, estava saindo para fazer meu piercing no nariz(uma argolinha singela)pra cumprir a promessa(uma vez que tinha passado pelo menos na UNESP), quando vejo o resultado da USP: Convocada para a matrícula.
PERAÍ, PÁRA TUUUUUDDOOOOOO! Como assim, eu passei? Eu passei MESMO? Não estou sonhando?
Sério, eu não achei que conseguiria passar na USP. Das 3 faculdades que prestei, a única que eu tinha quase certeza que não passaria era justamente ela. Ironia do destino…Agora cá estou eu, “pirando na batatinha”, indo morar em São Paulo, Brasil. Ouviram? Sim, estou indo MORAR em SÃO PAULO! Que loucura. QUE LOUCURA!
Claro que estou em outro planeta. Fico o tempo todo pensando em como será a faculdade, as pessoas, a cidade. Não conheço nada de São Paulo e o desconhecido sempre me assustou um pouco. Novos amigos, novos conhecimentos a serem adquiridos, novos professores, novos ares e lugares. Nova casa, novo emprego. É hora de afrouxar um pouco o laço que me envolve. Não soltar, apenas afrouxar. Não deixarei para trás tudo e todos em Campinas, jamais!Apenas terei dois lares, duas famílias, o dobro(ou mais) de amigos e mesmo namorado(lindo!). O plano é voltar para cá a cada 15 dias.
São Paulo. República. Amigos. Faculdade. Responsabilidade. Letras.
Mal tinha saído o resultado e eu já estava suando frio. No dia seguinte sai minha colocação na UNICAMP: 93º da lista, para 30 vagas. Me diz, para quê? Devo esperar ansiosamente pela 4º chamada, para ser convocada? Ou devo me jogar nessa nova experiência que será a USP?
Vou de USP, muito obrigada e volte sempre!
Eu sei que parece estranho. Se chorei? Sim, chorei. Muito. Ao mesmo tempo que queria ficar, queria ir. Voar. Sobrevoar São Paulo e conhecer cada pedacinho dessa cidade alucinante. Chorei por que a decisão foi difícil. Chorei por que sou assim, chorona por natureza. Por que vou sentir saudade, falta desse ritmo frenético da minha família, das confusões e gritarias. Juro que vou sentir falta disso e de muito mais. Dos amigos, dos fins de tarde em bares, dos domingos de pastel na feira, dos shows e baladas. De fazer lasanha, panqueca, brownie, cookies, cup cake…de ficar de boa na cama amontoada entre amigas, jogando conversa fora, falando sobre esmaltes. Tudo novo. Saudade de ver o namorado quando bem entender. Vamos tomar sorvete? Opa, bora lá! Vamos tomar sorvete hoje DE NOVO? Quero massa sabor Torta de Limão, meu bem. Vamos ao cinema? Vamos ao teatro? Vamos no bar? Vamos, claro que vamos! Vamos ver seriado, jogar tranca? Claro, demorou! Mas hoje é segunda! E daí, quem se importa?
E aos poucos, bem lentamente, as coisas vão tomando forma.
Procura aqui. Encontra ali. Você tem onde morar? Não, e você? Não também, estou sem lar. Vamos montar uma república? Vamos, vamos sim! Será o máximo…Temos que arranjar um local, casa ou apartamento. Quais móveis você pode levar? Fogão, geladeira? Tem microondas, liquidificador, lancheira? Olha, posso levar meu computador. Divido quarto, sem problemas. Prefiro pessoas que não fumem. Relaxa, vai dar tudo certo. Ah, sim: Sobreviveremos
Eu quero TUDO que tenho direito nessa nova fase da minha vida, mas sem abrir mão das coisas que mais me importam no momento atual. Levarei comigo pedaços do que tenho até agora e, no futuro, trarei fragmentos das minhas experiências e poderei compara-los, expo-los em quadros e porta-retratos. Transforma-los em livro e vende-los.
Enfim, fica aqui o registro do que se passa atualmente na minha mente insana. Quero mandar um beijo(me liga) para as minhas amigas e amigos que estão sempre por perto, mesmo quando distantes(oi?), para a minha família que me suporta diariamente, para todos aqueles que acreditaram em mim, me apoiaram e disseram “você vai conseguir, Tami!”, para aqueles que falaram que eu não iria conseguir também mando um beijo(mas não me liguem), e para o meu namorado LINDO que sempre me ajuda com tudo que pode, e que atura essa mulher de fases(aloka).
Chega, né? Escrevi mais do que devia! Boa noite.
#Ao som de Kiss, Kings Of Leon e Pearl Jam(minhas músicas prediletas)











